quarta-feira, 25 de junho de 2014

Marcos Suzano, o mito - Solta o som!

Dia 1º de julho teremos um mega show com o cantor e compositor Lenine na concha acústica do parque da maternidade em Rio Branco - Ac. É o projeto encontros socioambientais com Lenine patrocinado pela Petrobras que visa o desenvolvimento sustentável e a promoção do direito.
Mas não é do Lenine que eu quero falar e sim de um dos maiores percussionistas do mundo, (pra mim, o melhor!), Marcos Suzano. Sou suspeito pra falar desse cara porque ele é meu ídolo dentro da música e muita coisa aprendi o vendo tocar em shows, vídeo aulas e ouvindo seus discos.
Marcos Suzano desenvolveu técnicas para pandeiro, instrumento esse que ele difunde em cursos e oficinas. A técnica de Marcos Suzano parte do princípio de tocar o pandeiro "ao contrário", isto é, tomando como tempo forte não a batida do polegar, mas a das pontas dos dedos contra a pele do pandeiro (geralmente a batida das pontas dos dedos é dada fora do tempo forte, dado pelo polegar). Segundo o músico, essa técnica facilita a realização de ritmos fora do padrão do pandeiro, como compassos ímpares, por exemplo.
Mas a formação de Marcos vai muito além das suas técnicas para pandeiro. Começou tocando surdo e cuíca antes de fixar – se no pandeiro, Cursou Economia, mas durante o curso já frequentava a casa de Hermeto Pascoal e de Radamés Gnattali. Estudou ritmos africanos num grupo com Paulo Moura, tocou com Zizi Possi, Água de Moringa, Marisa Monte, Zé Kéti, Gilberto Gil e Lenine, com quem tem uma parceria até os dias de hoje, parceria essa, que rendeu em 1993 o disco “Olho de Peixe”.


Seu primeiro trabalho solo, "Sambatown", é de 1996 e traz usos inovadores para o pandeiro, intensificando a batida samba-funk e a utilização de sons mais graves. Em 2000 saiu "Flash", seu segundo disco solo, em que o músico vai mais a fundo no uso da música eletrônica.
Suzano faz também parte do grupo Pife Muderno, liderado por Carlos Malta.
Pra quem gostou do texto e tiver interesse em conhecer melhor esse músico, separei uma entrevista feita pelo jornalista Malcolm Lim feita em outubro de 2005, que vale muito a pena ler. Segue o link: http://www.pas.org/pdf/Suzano.pdf

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Percussão: peculiaridades e riquezas



Muitas vezes quando chego em algum lugar e digo que sou músico é comum as pessoas perguntarem qual instrumento eu toco, sempre respondo que toco vários, sou percussionista (Pra quem não sabe além de jornalista, sou músico), então, a pessoa me indaga: o que é percussão? Para tirar essa dúvida, preparei um texto* em que explica pelo menos um pouco do que eu e muitos outros colegas de batuque fazemos, tem também a explicação de alguns dos instrumentos que eu uso no meu dia a dia. Espero que gostem!

Em sua maioria simples e artesanais, os instrumentos de percussão são os mais antigos que existem, cuja função é enriquecer o contexto musical das músicas populares e Orquestras Sinfônicas, devido à variedade de sons que oferecem. Sua produção sonora vai desde o mais simples ataque à “raspagem” e agitação do instrumento.
O papel do percussionista é o de conferir textura rítmica às músicas – ou seja, mantendo o ritmo, mas caracterizando, tornando a música única. Faz até intervenções esporádicas - afirmando a sua personalidade e solos em que explora sua criatividade, “abusando” da variedade sonora proporcionada pelos instrumentos. A variedade de instrumentos de percussão é imensa, e as possibilidades de combinação entre eles é praticamente infinita – cabendo ao músico a criatividade e talento para combiná-los.

Presente nas World Musics, New Waves, eruditas, músicas populares e até mesmo eletrônicas, a percussão não tem limites estabelecidos, atingindo tanto o contexto rítmico quanto o harmônico (como no caso dos xilofones e sinos). Para efeito de visualização, listei abaixo alguns itens desse universo musical da percussão. A maioria dos listados são de fabricação puramente artesanal, por ser uma tradição do mundo da percussão. Confira:



Congas:

É um tambor originário de cuba, comprido, feito de casco parecido com um barril, tradicionalmente usado em duo ou trio. As peles são esticadas por canoplas, que substituíram as cordas, que eram usadas antigamente. Seu som ecoa entre o médio e o grave, com um timbre característico da pele de búfalo. Seu corpo é feito de diferentes madeiras, tais como cerejeiras, angelim ou carvalho – e até de fibra de carbono. É mais usada em ritmos latinos, como o merengue, salsa, moçambique e a conga. É o instrumento responsável pela marcação da base rítmica principal.


Bongô:

Também originário de Cuba, os bongos são dois tambores conectados, de forma cônica, numa estrutura de várias peças que formam algo semelhante a um barril, ou até corpos inteiriços, feitos de cabaça. Possui o tambor chamado “fêmea” (mais agudo) e o “macho” (mais grave). As peles mais utilizadas são as de gado ou de cabra. Seu timbre varia com a forma de ataque, sendo um timbre mais abafado com a palma da mão ou mais brilhante com a ponta dos dedos. Junto com as congas, compõem a textura sonora do merengue, da salsa e da conga – tradicionalmente latinos.




Repique:

O repique é um tambor pequeno que, diferente dos dois supracitados, possui pele dos dois lados. Essa pele comumente é sintética, e seu corpo é metálico. Ele é usado com uma ou duas baquetas, e por ser pendurado no corpo, suas peles ressoam em conjunto quando ocorre o impacto. É bastante usado em bandas marciais, em conjunto com demais instrumentos de percussão. Em conjuntos, é mais solista, sem compromisso de manter a base rítmica, como no samba, ou com tamborins, no ritmo galopado.





Carrilhão:

Instrumento composto por tubos metálicos, que produz som através do deslizamento da mão pelos tubos, fazendo eles vibrarem e manterem um som brilhante com sustain prolongado. Sua função musical é puramente de efeito, sendo impraticável usá-lo para manutenção da base rítmica.







Caxixi:

O caxixi é um instrumento completamente artesanal, como um chocalho, porém com uma estrutura que permite o percussionista tocá-lo em segundo plano, junto com demais instrumentos. No caso da capoeira, ele é segurado pelo tocador de berimbau. Pode ser simples, duplo ou triplo, dependendo do contexto. A versão tripla é mais usada em manifestações ritualísticas dos africanos, garantindo maior sustain nessa versão. Há quem use o caxixi acompanhado de uma vareta, esta dando pancadas no seu corpo.





Quexada:

Instrumento de origem indefinida, é composto por uma esfera densa e uma caixa vibratória conectados por um aço na forma de um “queixo”, que quando tensionado, faz um som oco e contínuo por algum tempo. Assim como o carrilhão, sua função musical é de mero efeito, não servindo para sustentar a base rítmica.




Cajón:

Originário das regiões do Peru, o cajón (caixão em espanhol) foi um aprimoramento dos instrumentos de percussão que os escravos africanos usavam para tocarem seus ritmos. Tombado como patrimônio cultural do Peru, sua estrutura é bem simples, sendo uma caixa curvada com um tampo, esse tampo tendo tamanhos diferentes conforme varia sua altura, para produzir os diversos sons. Foi utilizado para o flamenco por muito tempo, mas sua popularização fez o instrumento se encaixar em praticamente todos os estilos musicais.





Triangulo:

Instrumento de origem portuguesa, o triângulo possui a forma de um isósceles, e é comumente composto por ferro ou aço, podendo ser encontrado também em alumínio (menos duráveis). Seu timbre é brilhante, e é obtido mediante constante movimento do bastão por dentro do instrumento, contando com artifícios que mudam seu som, como a variação na pressão da mão que o segura. É muito usado em ritmos regionais, como o forró, o xaxado, o xote e etc.






Pandeiro:

Instrumento de origem indefinida, estando presente na Ásia, África e Europa. Sua estrutura não possui uma caixa de ressonância, sendo apenas uma pele esticada sobre o aro, podendo ser de madeira ou de metal. Sua forma é circular ou meia-lua. Seu som é obtido mediante brandimento do instrumento, fazendo um som constante, ou pela percussão dos dedos e da mão. Apesar de simples, seu timbre é rico, pois mistura o brilho das soalhas (placas de metal) com a pele, podendo esta ser couro ou sintética.







* Informações retiradas do site www.timbres.com.br